Pedalada elegante
Publicado em: 20/08/2012 às 8h16
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A fotógrafa Camila Uchôa, 29 anos, de São Paulo, trocou o carro pela bicicleta há quatro anos. A ideia surgiu quando ela fazia uma pesquisa em blogs de moda por causa de seu trabalho e encontrou imagens de mulheres estilosas sobre duas rodas em situações cotidianas, indo trabalhar ou voltando das compras. Ficou maravilhada. "Até então, pedalar para mim era sinônimo de passeio de fim de semana", conta. "Aquilo me inspirou e comecei a ir de bike para todos os meus compromissos." Para tanto, a fotógrafa resgatou uma magrela abandonada havia tempos na garagem da casa da avó. Virou seu único meio de transporte. Não desiste do veículo nem em dias de tempestade ou de calor escaldante. "Com a experiência, você se acostuma às adversidades do caminho. E, se um dia bate a preguiça, eu penso nos engarrafamentos e ela some logo", diz. Faça chuva ou faça sol, de duas coisas Camila não abre mão desde que virou ciclista convicta: usar maquiagem e, de vez em quando, vestido, que adora.

A fotógrafa é uma legítima representante do movimento Cycle Chic, que reúne ciclistas elegantes. O conceito do grupo é que, se a bicicleta é o veículo escolhido para se locomover no dia a dia, o usuário não precisa andar paramentado com trajes esportivos. Pode adotar seu guarda-roupa normal e respeitar seu estilo. "Alguém veste peças especiais para ir ao trabalho de ônibus e se troca quando chega à empresa?", provoca o produtor de eventos carioca Tiago Leitman, 34 anos. Com adeptos e adeptas, o movimento de preservação da elegância e do estilo de cada um sobre duas rodas nasceu com o blog Kopenhagen Cycle Chic, criado pelo fotógrafo dinamarquês Mikael Colville-Andersen, em 2006. Sua ideia era simples: postar de modo contínuo imagens de gente cheia de charme circulando de bike em sua cidade para inspirar outras pessoas a trocar definitivamente o carro por esse veículo econômico e ecológico. Funcionou tanto que ultrapassou fronteiras. Logo surgiram blogs similares pelo mundo, como em Vancouver e Tóquio.

O Brasil não ficou de fora da onda. Usuário convicto da bicicleta para locomoção, ainda que admita às vezes chegar "um pouco suado" a seus compromissos, Tiago é o criador do blog do Rio de Janeiro. "A população dos grandes centros urbanos almeja um novo tipo de relação com a cidade. Pedalando, vemos a paisagem de outros ângulos e lidamos com o tempo de um jeito diferente, menos apressado", teoriza ele, que também organiza o evento Passeio Completo, ronda de ciclistas estilosos por barzinhos realizada um sábado por mês.

O Cycle Chic está também nas cidades de Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Salvador e Aracaju. O blog de Curitiba é o mais ativo do país. Ao levar o movimento para a capital paranaense, em 2009, o artista plástico Gee Siqueira promoveu um desfile de moda sobre duas rodas batizado de Cycle Fashion Show do Brasil e repetido no ano de 2011. Em 2010, Gee montou outro evento: um passeio em que os ciclistas se vestiram com trajes da década de 1950. No ano passado, um grupo de paulistanos fez o mesmo.

De olho na onda que se alastra rapidamente, o mercado se organizou para atender esse filão. Poderosas grifes internacionais, como Chanel, Missoni, Dolce & Gabbana e Fendi, lançaram bikes assinadas. Em diferentes cidades do mundo, pipocam lojas especializadas, como a Adeline Adeline, de Nova York, que se dirige ao público ciclista feminino. Pertence à designer Julie Hirschfeld, ela mesma uma adepta do movimento. "Se você deseja se sentir bonita pedalando, provavelmente quer isso todos os dias", diz. Para atingir tal regularidade visual, defende ela, a pessoa precisa integrar a bicicleta ao seu estilo de vida, nunca o contrário.

Fonte: Planeta Sustentável


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