A força de um iogue
Publicado em: 18/07/2012 às 19h23
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Os sábios costumam dizer que as enfermidades são mestras. O chileno Gustavo Ponce, 65 anos, assina embaixo. Pioneiro da difusão da ioga na América Latina, ele foi diagnosticado com câncer linfático em 2004. Por um instante, o chão sob sua esteira de prática se abriu: "Não podia acreditar que a pessoa mais saudável de toda minha família estava com câncer", conta. Passado o choque, dirigiu-se para seu canto de meditação e lá ficou até ter a resposta. "Meditando, descobri que a doença tinha sido causada por um trauma vivenciado cinco anos antes. Conhecer a origem da enfermidade é a chave para enfrentá-la", afirma Ponce, que conheceu a ioga aos 11 anos de idade, por meio de um livro.

Abatido pela quimioterapia e por uma série de pneumonias, que tiraram proveito do seu combalido sistema imunológico, o professor de ioga se limitava a praticar exercícios respiratórios, respeitando as instruções fornecidas por seus mestres indianos. Guias que o acompanharam de longe. "Quando fiquei um pouco mais forte, comecei a sincronizar pequenos movimentos com a respiração, criando pausas entre a inspiração e a expiração e a expiração e a inspiração." Assim nasceu o método Prana Shakti Yoga, difundido em diversos países. Quanto à doença, motivadora da imersão interior e, posteriormente, da pesquisa de campo, ele não se considera completamente livre dela. Mas credita à ioga o fato de estar vivo e saudável. "Não posso dizer que superei o câncer linfático. Entretanto, a prática diária de ioga me permitiu elevar os níveis imunológicos e emocionais, o que evitou uma recaída que poderia ser fatal", diz. 

Para o ex-aluno de mestres renomados como J. Yogendra, B.K.S. Iyengar, K. Pattabhi Jois e T.K.V. y K. Deskachar, é impossível separar corpo e mente. Daí o poder de fogo da ioga. "Começamos por despertar a consciência corporal e, inevitavelmente, acabamos acordando a consciência mental. É ela que nos permite nos autoobservar, bem como o mundo ao redor", afirma o iogue. Tal afastamento, segundo ele, é crucial para alargar a percepção dos eventos e colher insights. Além, claro, de fazer com que os pequenos gestos cotidianos ganhem outra dimensão. "Passamos a nos alimentar, falar, descansar e nos relacionar de forma mais consciente. Nos damos conta de quão efêmera e transitória é a vida e aprendemos a apreciá-la a cada momento." Uma experiência que, como ele próprio sentiu na pele, pode salvar vidas. Gustavo Ponce estará no Brasil no final de agosto. Ele será um dos convidados especiais do evento Yoga pela Paz. Saiba mais na reportagem Unidos por um mundo melhor.

Por Raphaela de C. Mello


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