Quais as vantagens de uma cidade com menos carros?
Publicado em: 23/09/2011 às 10h38
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No dia mundial sem carro, em vez de falar sobre os problemas trazidos pelo uso excessivo dos carros nas cidades – aqueles que já estamos cansados de saber, como trânsito, poluição, danos de saúde pública, etc etc – vamos falar das vantagens de cidades que se preocupam em promover um uso mais consciente dos carros.

1. Quanto menos carros, melhor para os carros. Há três anos foi feita uma pesquisa em Nova Iorque pela secretaria de transportes da prefeitura que concluiu que mais de 40% das viagens diárias feitas de carro eram de 5 quilômetros ou menos. “Se esses carros que faziam deslocamentos menores saíssem da via, o congestionamento cairia quase pela metade e haveria espaço para que os outros, que realmente percorriam longas distâncias e justificavam o uso do carro”, diz Jeff Risom, planejador urbano do Gehl Architects, de Copenhague, e consultor da prefeitura de Nova Iorque.

2. Ter menos carros em circulação é melhor para a economia. A cidade de Copenhague tentou calcular quanto custava ter carros em circulação, considerando tempo de locomoção, turismo, necessidade de investimento em infraestrutura e saúde pública. O resultado é que a cada quilômetro percorrido de carro, a cidade perde o equivalente a R$ 0,35. O curioso é que a cada quilômetro percorrido de bicicleta a cidade GANHA R$ 0,70, seguindo os mesmo critérios. Considerando que, em São Paulo, 20% dos leitos dos hospitais são ocupados por vítimas do trânsito (poluição e acidentes), talvez o prejuízo de manter tantos carros em circulação na cidade seja ainda maior.

3. Com menos carro nas ruas sobre mais espaço para as pessoas. O dado varia, de acordo com a fonte, mas é fato que algo entre 60% e 80% da superfície da cidade de São Paulo está sendo usada pelos carros, contando ruas, estacionamentos e serviços de montagem, distribuição e manutenção. Com tantos carros assim precisando passar as cidades passam a ter cada vez menos espaços para permanecer. O sumisso dos espaços públicos é uma consequência bem comum do excesso de carros. As cidades viram uma grande área de passagem para ir de casa para o trabalho ou para centros de lazer fechados e controlados (como os shopping centers). Com políticas que diminuem o uso excessivo do carro, como no caso de Londres, que aplicou o pedágio urbano no centro da cidade, os espaços públicos são preservados.

4. A restrição do uso dos carros pode gerar renda para investir em outros modais. Londres criou o pedágio urbano enquanto que Copenhague e Amsterdam instituíram taxas caríssimas de estacionamento nas ruas do centro da cidade (dependendo do dia e do horário chega a custar o equivalente a R$ 30 para deixar o carro estacionado por uma hora). Por um lado são medidas que elitizam o uso do carro. Mas nos três casos a renda gerada é 100% reinvestida em outros modais (ciclovias, estações de metrô, traims, etc). Esse tipo de política garante que, ao mesmo tempo, o uso dos carros diminua e o uso de outros modais seja possibilitado. Ataca diretamente o trânsito e melhora a vida de muita gente.

5. Cidades com menos carros propiciam um ambiente mais criativo. Há um estudo em andamento na London Schools of Economy Cities que deve ser lançado no início do ano que vem e aponta relações entre a divisão modal de uma cidade e a criatividade de sua população. É um estudo polêmico – difícil medir a criatividade, não? – que afirma basicamente que, em uma cidade com mais opções para se locomover, os espaços públicos são mais povoados e diversificados. As pessoas convivem com outras pessoas diferentes delas e isso faz com que sua formação intelectual e suas referências sejam muito mais ricas. Uma cidade com mais opções para se transportar, então, seria uma cidade mais propícia para pessoas mais criativas.

Fonte:Planeta Sustentável


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